Bloqueio do Porto de Lisboa | 19 OUT

FAZER PONTES, OCUPAR A RUA, PARAR O PORTO DE LISBOA

Replicam-se as convocatórias para acções de protesto em simultâneo com a concentração da CGTP. No PÚBLICO.

Os estivadores reivindicaram publicamente o bloqueio ao porto de Lisboa ao final da tarde de quinta-feira. O militante e deputado do PCP, Miguel Tiago, lançou um evento no Facebook em que apela à participação dos motards na travessia da ponte.

Até ao dia de ontem, quinta-feira 16 de Outubro, o “movimento” que lançou a convocatória “Fazer pontes, ocupar a rua, parar o porto de Lisboa” não tinha rosto.

Em entrevista ao PÚBLICO, Guilherme Príncipe, uma das pessoas envolvidas na mobilização, deixou escapar que a iniciativa, ainda que fosse “aberta e múltipla”, seria reivindicada publicamente por alguns grupos. Ao final da tarde, António Mariano, actual representante do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal, reivindicou a iniciativa no blog 5dias.wordpress.com

Fazer a luta toda até que seja o governo a ceder! A convocatória dos estivadores.

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Sabemos da urgência dos tempos que correm e de como é importante fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para derrubar este governo. Semana após semana as intimidações continuam, a lei que o governo está a impor aos estivadores como à generalidade dos trabalhadores atira-os para a precaridade e, a prazo, para o desemprego. Não aceitamos que nos imponham a austeridade e que a violência das suas leis seja a sua única linguagem.

Não nos calaremos. Na jornada de luta do próximo Sábado estaremos na concentração da CGTP mas organizamos também um plenário de estivadores na Gare Marítima de Alcântara, que terá início no final da manifestação e não tem hora para acabar. Estamos nesta luta sem hesitações e para forçar o governo a sair definitivamente de cena. A sua demissão é o primeiro passo para mudar a nossa vida. É por isso que lutaremos Sábado. É por isso que lutamos todos os dias.

Todos a Alcântara!

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EMPATAR, ESTORVAR, ENCANZINAR.

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O bloqueio e a greve no porto de Oakland, 2011.

Há cerca de dois anos em Oakland, Estados Unidos, milhares de pessoas marcharam em direcção ao porto bloqueando-o durante muitas horas. Na decorrer desta acção, os sindicatos acabam por se juntar produzindo uma greve histórica num dos mais importantes portos da economia americana.

O tipo de acção, assim como as novas configurações políticas e de comunicação por ela inauguradas, entre os diferentes actores do movimento social anticapitalista, marcam doravante todo movimento occupy americano e também europeu.

Oakland ensinou que o bloqueio da economia, a greve social generalizada, só se constitui em força real quando se torna massiva e múltipla, composta por diferentes frentes de ataque, por diferentes centros de massa organizativos, por diferentes pontos de vista, tendências, experiências, comunas, escolas radicalmente diferentes.

NO DIA 19 DE OUTUBRO VAMOS BLOQUEAR O TERMINAL DE ALCÂNTARA DO PORTO DE LISBOA.

Queremos apoiar a greve em curso dos estivadores.
Queremos interromper a circulação de mercadorias no principal terminal de transporte marítimo de Portugal.
Queremos parar um dos principais nós rodoviários, e também ferroviário, da cidade de Lisboa.

Já experimentámos de tudo nestes últimos anos, que se fazem longos, de crise e austeridade: Saímos à rua em dezenas de manifestações massivas, fizemos várias greves gerais, usámos todas as figuras de protesto que a democracia autoriza. E no entanto por todo o lado se escuta ser necessário ir mais longe.

Sabemos que a crise não nos vai passar ao lado, nem esfumar-se por milagre.
Sabemos que a miséria de quase todos nunca será resolvida pela acumulação obscena de muito poucos.
Sabemos que, ao longo da história, os ricos e os poderosos nunca abdicaram voluntariamente dos seus privilégios.

Queremos parar a economia e colocá-la nas nossas mãos.
Queremos interromper a exploração para construir soluções comuns sobre os escombros de um regime desigual e catastrófico.
Queremos desobedecer à fatalidade da obediência, da pobreza e da miséria.
Queremos que dia 19 de Outubro a rua se constitua como uma força em comunicação com todas as lutas, do trabalho ao desemprego, das pensões à miséria.

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O Governo proibiu, os manifestantes não acataram. No blogue 5dias.

«No dia 7 de Setembro de 1974 um plenário com 2 mil trabalhadores ratifica a decisão de convocar uma manifestação que levaria os metalúrgicos da Lisnave para o centro da cidade de Lisboa, até ao Ministério do Trabalho, na Praça de Londres. Os trabalhadores da Lisnave exigem o saneamento da administração, recusam a lei da greve (que chamam nos comunicados de «lei anti-greve» porque queria proibir as greves de solidariedade e autorizar o lock out) e pedem a adesão de outros trabalhadores da Efacec, CTT, TAP.

(…)

O Governo, através do Ministério da Administração Interna, ilegaliza a manifestação no dia 11, temendo o alastramento da luta a outras empresas. Pela manhã de dia 12 uma delegação do MFA vai à Margueira para convencer os operários a adiarem a manifestação para um sábado. Em vão. Como lembra Fátima Patriarca, os operários tinham evoluído de uma posição dialogante para uma posição de força, em que as reivindicações não eram discutidas: a manifestação iria ter lugar e seria um acto de força contra o poder. No dia 12 de Setembro, os operários, reunidos no interior do estaleiro, ratificam a manifestação com apenas 25 votos contra. Lá fora, as forças do COPCON cercam, com grande aparato militar, o estaleiro.»